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As possibilidades de Avatar

janeiro 22, 2010

=)

Na última terça-feira fui ao cinema ver Avatar (veja o trailer). Não é no 3D e isso é uma pena. Lendo as críticas, sinto que vi o filme pela metade. Parece que James Cameron caprichou na tecnologia do longa-metragem que levou 10 anos para ficar pronto. O Omelete disse até que dá vontade de espantar mosquitos da tela.

Enfim, pesquisando sobre Avatar para escrever no Agenda Chapecó, encontrei o seguinte texto: “Jornal vaticano critica panteísmo e espiritualismo ecológico do filme Avatar“.

Bom, leia o texto indicado acima e depois o texto abaixo. A opinião abaixo é sobre o comentário acima (??? enfim…) e foi escrita pelo Edes, que sempre vê aspectos diferentes nos filmes que vemos. ;)

Na minha opinião, essa análise do filme é deveras superficial. Em primeiro lugar porque julga compreender o filme e se coloca “acima do bem e do mal”, como diria um Nietzsche gaiato. Reduzir o filme a uma parábola anti-imperialista e anti-militarista é risível, até mesmo porque a trama, nesse sentido, é muito fraca. Antes de ser uma crítica aos problemas atuais (ecológicos ou de relações humanas), o filme resgata miticamente uma outra relação possível entre os seres, onde se valoriza o respeito e a interdependência. Salta aos olhos atentos a discrepância entre o mundo deles (selvagem e natural, mas capaz de resguardar a pureza) e o nosso (artificial e cheio de um conforto que nos escraviza).

O filme não faz uma apologia à religião como a compreendemos hoje, mas resgata a espiritualidade como forma verdadeiramente humana de ser e agir no mundo em todas as situações, sacralizando todos os momentos, algo que praticamente não existe mais, mesmo em nossas “religiões”.

O panteísmo, já que citado, não reduz Deus à natureza, mas o enxerga em todas as coisas, pois são manifestações de uma Unidade. Ou seja, não se pode dizer que o paganismo discorde do monoteísmo – eles têm apenas conceitos e formas diferentes de manifestar sua crença/religiosidade. Se as pessoas começam a se aproximar novamente desse antigo olhar sobre a vida, talvez seja porque nossas formas atuais já não ofereçam o que a alma humana anseia. Se isto incomoda alguns, eu não consigo entender por que.

Creio que devemos recuperar uma parte perdida da história da humanidade e assim compreenderemos que esse medo frente ao que desconhecemos (outras formas de religiosidade e etc.) são absurdos e só nos causam mais problemas do que já temos.

Zoe Saldana como a guerreira Neytiri

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