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O meio

Parte da dificuldade enfrentada hoje em dia pelos jornalistas tradicionais é que nós não somos muito bons em caminhar para frente, se não sabemos para onde estamos indo. O problema é que ninguém sabe o quanto a comunicação online vai mudar o que nós fazemos ou que oportunidades este novo modelo nos apresenta. A única forma que temos de tirar vantagem é estarmos conectados às tecnologias e participarmos ativamente na mudança de cenário (BRIGGS, pg. 37).

O jornalismo na internet, por vezes criticado por perder características como a investigação e assumir outras como a instantaneidade (não que já não o deva ser no rádio, por exemplo) e “pobreza” de textos, vem abraçando cada vez mais adeptos. Poucos de nós leitores (me incluo nesses leitores) e usuários de internet assinam jornal ou mesmo revistas para saber quais são as notícias do dia, se podemos com apenas um clic do mouse visualizar um site atualizado e, através desse, manter-se informado sobre qualquer assunto de nosso interesse.

Nesse sentido, a web 2.0 aparece como facilitador de processos como a procura da notícia e até mesmo para incrementar conteúdos através da interatividade entre os usuários, estabelecendo cada vez mais nichos de mercado. Aí que entra o jornalismo online como fator positivo para o usuário e para o jornalista também. Assim como podemos deixar a matéria mais elaborada, através de links e multimídias da era digital, podemos também contar com a participação do público para melhorar e mesmo pautar o jornalismo.

“Os editores da Web estão criando plataformas ao invés de conteúdo. Os usuários estão criando conteúdo.” Isso é o que Briggs diz a respeito da relação entre usuário e jornalista (trato aqui especificamente o jornalista, mas não excluo o fato de que qualquer pessoa possa publicar e participar desta troca). Quando o leitor clica num link e vai para outra página com explicações diferenciadas e/ou mais aprofundadas sobre o assunto está criando conteúdo por meio das “pontes” criadas pelo jornalista (ou quem publicou a notícia). Noutro viés, o leitor também pode criticar, apresentar sua opinião e complementar o assunto.

Para o jornalista, os mecanismos de busca e de arquivamento de conteúdo pode ser um grande aliado na hora da pesquisa. Sites como o Google (que tem melhorado constantemente seu sistema da buscas), o You Tube que armazena toda forma de conteúdo e conta somente com a colaboração dos usuários são alguns exemplos.

E o blog? Bom, as palavras de Briggs falam por si: “Os blogs mudaram para sempre a maneira pela qual a informação é disseminada em nossa sociedade. Eles são rápidos. Interativos. Livres. Podem ser perigosos. Eles já são poderosos e a cada dia que passa estão ficando ainda mais fortes e influentes” (BRIGGS, pg. 55).

Não é à toa que mais e mais repórteres criam blogs valorizando o jornalismo opinativo. Isso é bom para que nós, leitores e espectadores, saibamos o que o repórter pensa, suas opiniões e idéias. Isso demonstra honestidade do jornalista, ao se posicionar diante dos fatos, e permite também que debatamos com ele sobre qualquer assunto comum. Para o repórter, só feedback já é o maior ganho.

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