Ontem, 18, fui ao teatro. A peça se chamava Viandeiros, da Cia Irreversível, de Florianópolis, promovido pelo Sesc. O ator Luiz Canoa representou vários personagens num monólogo musical. A peça exigia certa concentração para não perder a história contada através da luz, da dança e do olhar do ator, que sempre explicava muito do que era cada um dos personagens. Mas, em alguma parte me perdi. Já explico!
O que acontece é que os personagens de Luiz Canoa despertaram questões interessantes. Um deles é Zé Borba, um pai de santo que “é de tudo um pouco” e que diz que as pessoas têm medo do poder, caso contrário fariam da sua história algo glorioso. Outro é Zé Firmino, mestre de Folia de Reis, que ensinou até uma “simpatia” para conseguir o que quisermos: “Zóio de fora, zóio de dentro, zóio de dentro, zóio de fora, que tudo que eu veja pra dentro, veja também pra fora” (mais ou menos isso). Bom, não consegui captar tudo da peça, pois pensava nessa história de conseguir aquilo que desejamos por muito desejar que aconteça. E, nesse momento me lembrei do filme Quem quer ser um milionário? (2008): Jamal conseguiu o que queria! Seria o destino ou essa história de tanto desejar? Falemos agora de cinema!
A principal questão colocada em Slumdog Millionaire (nome original) já é apresentada no trailer: Como Jamal chegou lá? As opções são: a) Ele trapaceou; b) Ele é sortudo; c) Ele é um gênio; e d) É o destino. Não acreditei que ele tivesse trapaceado, apesar dessa desconfiança ser o ponta-pé de toda a história. Então, deixemos essa questão de lado. Se ele é sortudo? Bom, no decorrer do filme, podemos ver que sorte ele não teve na vida. Sendo assim, descartemos essa opção. Restam as alternativas c e d. Será um gênio ou obra do destino? hehe! Apesar da brincadeira, a questão já é respondida no trailer.
O grande vencedor do Oscar desse ano (Melhor Filme e primeiro em outras 7 categorias), Slumdog Millionaire, realmente merece aplausos. Não que eu desconfiasse da produção de Danny Boyle (Transpotting), mas não esperava que fosse tão impressionante. O filme trata do destino e do amor.
O destino guiou Jamal Malik (Dave Patel) para o encontro do seu grande amor, Latika (Freida Pinto). O programa de perguntas e respostas foi apenas um meio para encontrar a moça. Desde a infância, na miserável Mumbai, na Índia, Jamal, Salim (irmão mais velho de Jamal) e Latika, tentam sobreviver sozinhos. Muitos são os acontecimentos (por
vezes tristes, outras corajosos) e que unem e separam os três personagens.
Sempre a procura dela (Latika), Jamal associa as perguntas aos fatos marcantes de sua vida. Vida essa, que vai se revelando para nós, espectadores, no decorrer do filme. O final não foi muito surpreendente, mas era necessário para que se faça justiça à Jamal e dê sentido à proposta do filme.
Não posso deixar de dizer que há algo familiar em Quem quer ser um milionário? Boyle retratou uma realidade que também é razão de muitos longas-metragens no Brasil. Mas as comparações param por aí. Eu nunca vi algo tão forte e marcante na visão sincera de uma criança com o coração cheio de esperança nas aventuras que tem pela frente. É o destino.
Crítica do Omelete.
Veja o trailer:

